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"Ninguém disse que isto viria". Esta é minha frase favorita sobre a cobertura dos repórteres sobre o turbilhão econômico global. Minha adorável esposa, Vikki, tem uma forte opinião sobre isto: Três mil anos atrás, os egípcios descobriram que o rio Nilo era alagado em ciclos irregulares. Durante os bons anos, os Faraós promoviam um consumo comedido e os armazéns ficavam cheios com os grãos das colheitas. Durante os anos difíceis, as pessoas sobreviviam com estes grãos economizados. "Isto consta do Antigo Testamento".
Os consumidores dos EUA certamente não foram comedidos no consumo, não houve economia para os inevitáveis anos difíceis. Todos da indústria financeira tiveram uma visão de curto prazo e apostaram em empréstimos que sabiam serem ruins. Pessoalmente, sinto muito por desapontar "os melhores e mais brilhantes" de Wall Street, porque eles já arruinaram a minha poupança. Gestores de fundos de investimento tiveram a responsabilidade de tratar o meu dinheiro com muito mais respeito, e falharam miseravelmente. Se os EUA são, de fato, o mais rico e tecnicamente avançado país do mundo, nós demos um péssimo exemplo. A In-Stat vem fazendo a cobertura das tendências macroeconômicas por mais de 25 anos, quando fazíamos as previsões da indústria de microeletrônica. Se alguma vez houve uma indústria que se adaptou aos ciclos de altos e baixos, é a indústria de semicondutores. Por isso temos alguma credibilidade ao falar de como essa situação econômica pode se jogar fora a si mesma. Brian O'Roucke, especialista do In-Stat, comenta que os salários reais têm sido relativamente estáveis ao longo desta década. Seus aumentos foram compensados por aumentos nos custos dos cuidados com a saúde. Os consumidores têm utilizado capital da hipoteca de suas casas para financiar melhorias em suas vidas. Com o estouro da bolha da habitação, essa fonte de dinheiro se esgotou. Assim, podemos esperar drásticas reduções de gastos de consumidores, especialmente para itens não-essenciais. Mas o que é que os consumidores consideram essencial? Mike Paxton e Keith Nissen, outros dois analistas do In-Stat, realizaram pesquisas sobre TV paga e serviços de banda larga, e, pelo menos por ora, estes itens são considerados como indispensáveis. Se as pessoas passam mais tempo em casa, elas assistem TV paga e precisam da banda larga, dois elementos vitais. Pode haver mesmo um uso maior de vídeo sob demanda (VoD), já que os consumidores devem limitar suas saídas para cinemas e restaurantes. O "Guitar Hero" jogo via vídeo deve estar vendendo bem, para distrair as pessoas que se decidem permanecer em casa com mais freqüência. Para a eletrônica de consumo nós já vemos sinais de significativa erosão de preços, sobretudo no usuário de renda mais baixa e os fabricantes interessados em aumentar sua parcela de mercado. O consumidor de alto nível deve correr atrás de pechinchas e evitar os itens mais caros dos pacotes. Os players de Blu-ray devem encontrar dificuldade nas vendas até que seus preços caiam abaixo dos US$ 200. Os prestadores de serviços terão que continuar a investir em melhorias na sua infra-estrutura, mas a taxas reduzidas. Empresas de tecnologia, consultoria e engenharia, e prestadores de serviços "cloud computing" podem ajudar a pressionar a demanda por mais bits ou mais dólares fora das redes existentes e terão papel importante. Indústrias que dependem da publicidade tradicional irão mais devagar. A publicidade de automóveis na TV deverá cair quase 15%, provavelmente até à primavera. A maioria das outras categorias de publicidade televisiva terá seus preços reajustados entre 3 a 10% para menos. Com a publicidade na TV em queda, as emissoras locais podem enfrentar dificuldades financeiras quando o sinal de sua TV analógica for desligado. Já há muitas estações locais reduzindo seu pessoal de noticiário para cortar custos. O único setor de publicidade que vê crescimento atualmente é aquele impulsionado pelas empresas de serviços financeiros que ainda estão em atividade. Elas estão gastando cada vez mais agressivamente na esperança de capturar milhões de consumidores que abandonam as empresas que faliram ou foram adquiridas. Plataformas de publicidade on-line ou interativas (como Google, Yahoo e MSN) são suscetíveis de viver fortes taxas de crescimento, em valores absolutos, mas ainda ai os consumidores mesmo que vejam uma montanha de anúncios on-line não farão muitas compras. A interconectividade global desta queda no crédito resultou no fato de que governos ao redor do planeta hipotecaram seu futuro sobre a "salvação" grandes bancos. A inflação vai se tornar um problema se os governos começarem a imprimir dinheiro. Na Europa, só a República Checa afirma que se manteve incólume, e não tem problemas.
Chrissie Van Gaal, que monitora a economia para nossa cobertura da indústria de semicondutores, debruçou-se sobre tendências históricas e causas dos ciclos de altos e baixos. Sua conclusão é que teremos um longo e duro caminho à frente. Analista principal do In-Stat - Maiores informações em
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