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O negócio é simpático e as operadoras de telecom o compreenderam bem. Na França, as três principais operadoras móveis - também globais - são Orange, SFR e Bouygues Telecom, que fazem parte de nossa vida, conhecendo-a algumas vezes melhor do que nós mesmos. E se antes tínhamos o carro para revolucionar o orçamento das famílias, agora olhe para sua conta de telecom e sorria amarelo (internet, celular, investimentos em HDTV, iPhone ou outro dispositivo móvel de internet como o próximo HTC Hero)... Isto custa dinheiro. Mas, nós, consumidores, não podemos fazer de outro jeito. Hoje consideramos isto como normal para estar acessível, compartilhar, transferir gordos arquivos etc. E só nos consideramos franceses se tivermos uma bela rede ADSL bem desenvolvida (em 2+ se está verdadeiramente bem) ou de antenas 3G+ nesta bagunça.
E, no entanto, nos aproximamos do abismo. Por que tantas antenas? Por que tantos planos diferentes em torno da implementação de fibra? Por que nenhuma seqüência na obtenção de licenças de WiMAX? As telecomunicações são talvez um dos mercados mais incertos quando ao seu futuro, em função dos avanços tecnológicos possíveis ou não. Hoje, a fibra ótica "se desenvolve", a 4G (então, LTE ou WiMAX?) parece distante, desde que o WiMAX (provavelmente por enfrentar a LTE na implementação da 4G) bagunçou. A Orange ameaça abandonar todo seu investimento em fibra ótica, por considerá-la, finalmente, muito cara. A Free denuncia um acordo entre Orange e SFR e uma decisão técnica do GPON de seus concorrentes sobre implementação inadequada com o mercado. Neste meio tempo, a Numericable continua seu desafio de FTTB (Fiber to the building) - o que significa que a fibra abastece um quarteirão de prédios para ser redistribuída em seguida por outro cabo - para enfrentar a FTTH (Fiber to the home), a ponta de fibra diretamente instalada na residência, opção escolhida por Orange, SFR e Free. A Acerp (agência reguladora francesa) faz uma série de declarações mas, ao final, não mexe em nada. Por que esta problemática? As auto-estradas da informação deixam pouco a pouco a implementação estruturada e unificada que conhece os cabos por onde passam o telefone ou o ADSL. Com decisões de investimentos relativas à fibra, chega-se num ponto onde talvez cada operadora deva assegurar a construção de sua rede, alugando por somas incríveis as partes instaladas pelos concorrentes (e ainda, no caso de escolha semelhante, como para Orange e SFR, o que priva parcialmente a Free de sua rede, atualmente). Em paralelo, a SFR anuncia o desenvolvimento de uma tecnologia que a permita transitar seus dados móveis por via terrestre (com as bandas de suas instalações em fibra e as antenas adaptas isto é coerente), para suportar o muito forte crescimento da internet móvel e a saturação da tecnologia 3G. Temos aqui um exemplo claro do que deveria ser posto em prática por cada operador global - que hoje quer dizer as três operadoras - e que é, mais do buscar uma quarta licença para a 3G (enquanto no Reino Unido eles fazem o caminho inverso com a divisão programada da T-Mbile provavelmente para a Vodafone UK). Seria necessário, antes, pensar numa estratégia coerente e interessante para dotar a França ainda de meios de telecomunicações com alto desempenho. Passar para o ADSL digital e deixar definitivamente o analógico, desenvolver de uma só vez infra-estrutura global de fibra (ainda é possível), um pouco à maneira das estradas de ferro francesas, com investimento das operadoras (em dinheiro, mas também com engenheiros). Vamos! Vocês provaram no passado que mesmo com problemas para trabalhar em conjunto, algumas vezes os clientes ficavam satisfeitos (portabilidade numérica). Nós todos sabemos que o business é importante, é simpático obter margens brutas de 31% enquanto somos os terceiros do ranking, mas oferecer perspectivas interessantes e criar uma bela vitrine tecnológica à imagem do que se está em vistas de fazer suas "concorrentes" na Coréia do Sul, deveria ser mais valorizado por vocês. Seria preciso que a Acerp não fosse apenas uma autoridade, mas local de encontro onde as empresas inovadoras no vasto setor das telecomunicações pudessem confiar em termos de superestrutura e estabelecer uma rede com um plano real de futuro e não ter apenas um caráter dirigente, que ameaça suspender investimentos num dos setores de ponta em que nosso país tem verdadeira necessidade. Algumas explicações... A 4G ainda não é uma tecnologia propriamente dita, mas o WiMAX que começa a se tornar uma tecnologia chave que pouco a pouco deverá sair vencedora, enquanto vários vendors (Alcatel, NEC) parecem apostar mais na vitória da LTE O WiMAX é uma tecnologia de transmissão de dados por dados hertzianos. Os debates atuais levarão a uma interoperabilidade (compatibilidade) entre as normas WiMAX, Wi-Fi e à futura 4G (se a tecnologia não for retida). Espera-se bandas teóricas de 1 Gbps modo estacionário (ou 500 vezes mais rápido que o ADSL2+ que conhecemos) e 100 Mbits em mobilidade (a 3G+ hoje oferece 7,2 Mbits). O FTTx (Fiber To The Home ou Building) é essencial para o futuro da tecnologia das telecomunicações e do HD. As ofertas comerciais centralizadas nas operadoras globais e a necessidade de uma rede terrestre de muito alto desempenho justificam o investimento. As duas normas FTTH que são P2P (point to point, uma fibra por residência) e o GPON (gigabit passive optical network, uma fibra para 64 residências no caminho do imóvel, depois já no imóvel uma fibra por residência) são atualmente estupidamente utilizadas na França.
Fonte: Esseclive.com |