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A perspectiva de as operadoras móveis com atuação local alocarem boa parte do espectro brasileiro de 2,5GHz coloca o Brasil definitivamente no mapa mundi da GSM Association (GSMA). Desde ontem, o Brasil passa a abrigar dois escritórios da entidade. Um em Brasília, capitaneado pelo VP sênior da associação, Ricardo Tavares. E, o outro, em São Paulo, encabeçado pelo diretor da GSMA para a América Latina, André Almeida (ex-Telemig). Os dois escritórios vão coordenar as ações da GSMA não apenas no Brasil, mas em toda a região latino-americana, o que antes era feito do escritório de Miami. Como bem lembrou Tavares, "passamos de nenhuma presença para duas presenças".
Os interesses da GSMA não são mais, apenas, os das operadoras da família de tecnologias GSM/UMTS/HSPA/LTE. Fabricantes de equipamentos - como Microsoft e Dell-, e dezenas de provedores de conteúdo e mídia, também são por ela representados. Ou seja, a GSMA, hoje, reúne pesos-pesados de três dos principais pilares das comunicações móveis. Todos com um objetivo comum - abocanhar parcela significativa do atraente mercado de banda larga móvel, em franca ascensão. Isto, no caso da próxima geração das tecnologias móveis - a 4G - significa, pela primeira vez, que o interesse dos players não prioriza os mercados maduros, mas os atrai cada vez mais para os mercados emergentes. Enquanto as redes GSM chegaram ao país com 14 anos de atraso em relação ao seu lançamento mundial, a 3G chegou seis anos depois e a LTE deve aportar por aqui com um intervalo de quatro anos. Por ora, os países em desenvolvimento apresentam taxas de penetração em banda larga bastante baixas - inferiores a 20% da população total. Na Índia, por exemplo, esta taxa é de 2%, num país de 1,1 bilhão de habitantes. No Brasil, acaba-se de atingir a média de 6% de penetração em banda larga, numa população de 191 milhões. A demanda reprimida é evidente, mas seu atendimento só se faz com esforços de massificação dos serviços e redução dos preços dos próprios serviços e dos dispositivos de usuário final (CPEs). De acordo com a GSMA, a banda larga móvel em 3G deve atingir 200 milhões de terminais móveis entregues em 2009, no mundo, e 2 bilhões em 2015. A mobilidade, aliás, é considerada por Tavares como condutor chave da massificação da banda larga, já que os índices de penetração da telefonia móvel são superiores aos da fixa. "Um total de 323 operadoras em 130 países já lançaram redes e serviços 3G HSPA. Índia e Tailândia são exceções, mas têm seus lançamentos previstos para até 2010. Este quadro cria uma perspectiva de receita de US$ 137 bilhões no mercado global, em 2014" contabiliza Tavares. Os dados do Brasil também justificam o interesse da GSMA. Em junho passado havia 5,5 milhões de terminais de acesso a banda larga em 3G, 18 meses após o início das operações destas redes. Isto significa 1/3 de toda a banda larga nacional, seja ela em ADSL, TV a cabo ou 3G. Para 2012, a perspectiva é de que a banda larga móvel em 3G responda por 50% do acesso em banda larga do país. 
Mas, além do preço que terão que pagar pelo espectro, as operadoras móveis da família GSM terão que enfrentar desafios de peso - como a necessidade de redução dos preços dos aparelhos e serviços, de modo a promover a massificação de fato da banda larga, num país onde é grande a desigualdade da renda per capta e o pré-pago responde por mais de 80% a base de assinantes. "Criar modelos de negócios é o grande desafio no caso da massificação dos terminais. É preciso desenvolver novas plataformas de serviço e, aí, a participação da indústria de TI é fundamental. A 3G só aumenta a produtividade quando a TI cria soluções para as empresas e o setor público, com conseqüente aumento da produção econômica" pondera Tavares. Tavares cita os netbooks como dispositivos chave neste processo. Matt Simmmons, VP mundial de Relações Públicas da GSMA - também presente ao anúncio das atividades da entidade no país, ontem, em Brasília - acrescentou que a entidade já promove o Rich Media Program, de desenvolvimento de novas aplicações no celular, sobretudo ligadas ao m-payment, saúde e compartilhamento de conteúdo rico entre usuários finais. |