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Um trilhão de páginas indexadas no Google, 210 bilhões de e-mails diários e 8 bilhões de páginas acessadas em sites de redes sociais todos os dias. Números como esses servem para dar uma ideia do volume global de informações que circula pela Internet hoje em dia. E podem ajudar a entender porque a comunidade científica e tecnológica mundial está preocupada em desenvolver soluções voltadas para a Internet do futuro. Parte dos especialistas nesse assunto reuniu-se nas instalações do CPqD, em Campinas, no workshop internacional Novas Arquiteturas para a Internet do Futuro, realizado na semana passada. Promovido pelo próprio CPqD em parceria com o Fotonicom (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Fotônica para Comunicações Ópticas), da UNICAMP, o evento conta com o apoio do Funttel, Ministério das Comunicações, Fapesp e do CNPq.
"A Internet é uma infraestrutura crucial para alcançar o desenvolvimento social, econômico e científico. Mas logo ela chegará aos seus limites de capacidade", disse Laerte Davi Cleto, da Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, na abertura do workshop. Por isso, o governo brasileiro decidiu aplicar os recursos do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) em projetos de pesquisa e desenvolvimento voltados para a Internet do futuro. Segundo Cleto, atualmente o Funttel vem suportando três projetos nessa área no país: ARCMIP, Giga e Horizon, desenvolvido em conjunto com a França. Novas arquiteturas Desenvolvido pelo CPqD, o projeto ARCMIP foi apresentado por sua coordenadora, a pesquisadora Tania Regina Tronco, na palestra Arquitetura de Rede para Comunicações Móveis sobre IP. "O objetivo é pesquisar novas arquiteturas e tecnologias disruptivas para a futura Internet, com foco em wireless, mobilidade e redes de sensores conectados", explicou. "A atual arquitetura da Internet está ossificada. A rede IP não suporta mobilidade, por exemplo", disse Tania. Iniciado no ano passado, o projeto ARCMIP hoje está na terceira fase. Na primeira, os pesquisadores do CPqD identificaram três cenários (aplicações) que deverão determinar a expansão da Internet: serviços com foco no usuário, conteúdo e objetos (sensores) conectados à rede. Na fase seguinte, foram levantados os requisitos de rede necessários para atender às demandas nesses cenários. Na terceira etapa, o desafio é mapear esses requisitos sobre as novas propostas de arquitetura da Internet. "Com este workshop, a ideia é conhecer e aprender com outras experiências e projetos internacionais", afirmou Tania. Já o professor Otto Carlos Muniz Bandeira Duarte, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falou sobre o projeto Horizon, em sua palestra sobre Virtualização de Rede: da tecnologia em teste para uma solução para a futura Internet. "A intenção é desenvolver uma nova arquitetura de rede baseada em pluralismo (virtualização), com banco de dados distribuído e diferentes redes virtuais no mesmo roteador: redes IP, VoIP, com suporte a mobilidade, de sensores, etc.", disse. Participam do projeto, no lado brasileiro, a UFRJ, a UNICAMP e a PUC-Rio e, pela França, o Laboratoire d'Informatique de Paris6. O terceiro projeto suportado pelo Funttel, via Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), é o de Rede Experimental de Alta Velocidade - GIGA, que foi apresentado por seu diretor Alberto Paradisi, gerente de Tecnologias Ópticas do CPqD. O Centro é um dos líderes do projeto, desenvolvido em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). "O foco é a experimentação em larga escala de tecnologias de redes e serviços de futura geração", explicou Paradisi. Atualmente, o projeto está na segunda fase. Experiências internacionais O workshop realizado no CPqD também apresentou diversas iniciativas internacionais voltadas para o desenvolvimento da futura Internet. Fabrizio Sestini, da Comissão Européia em Bruxelas, Bélgica, falou sobre as experiências na Europa e destacou o projeto FIRE - Future Internet Research and Experimentation, também destinado à criação de um ambiente de pesquisas, testes e comparação, em larga escala, de ideias e tecnologias revolucionárias para a Internet do futuro. "O FIRE envolve diferentes comunidades de usuários e integra diversos projetos em um ambiente sustentável de investigação e experimentação de novos paradigmas", disse Sestini. "É um ambiente multidisciplinar, de caráter visionário e atento aos impactos sociais, econômicos e ambientais da Internet." Nos Estados Unidos, uma iniciativa importante nessa direção é o Projeto Geni - Global Environment for Network Innovations, que foi apresentado por seu diretor, Chip Elliot. "Trata-se de uma infraestrutura, que está sendo criada nos Estados Unidos, envolvendo várias tecnologias diferentes e o conceito de virtualização", explicou Elliot. Segundo ele, 13 campus - a maioria em universidades - foram escolhidos para integrar essa grande infraestrutura de testes para novas experiências. Os dois principais backbones dos Estados Unidos doaram capacidade para o GENI, que assim começa com 40 Gbps disponíveis: 10 Gbps da Internet 2 e 30 Gbps do National LambdaRail. * Texto de Rosa Sposito, jornalista da Pimenta Comunicação |