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Há duas semanas tive a oportunidade de assistir a algumas interessantes apresentações no 4G World em Chicago. Uma das coisas que me chamaram atenção na seção "WiMAX in the Americas" foi o clima extremamente desfavorável que o México enfrenta em termos de regulamentação de telecom. Como em vários outros países da América Latina, o México experimentou um sério atraso na implantação bem sucedida de redes WiMAX. Isto é crucial por causa do atraso nas licitações, de a mobilidade ainda não estar disponível nos 2.5 GHz e porque vários proprietários de licenças estão simplesmente sentados em seu espectro.
A banda dos 2.5 GHz foi inicialmente alocada em 1990; estas licenças foram renovadas no ano passado. Outro grupo de licenças foi alocado em 1995 e deveriam ter sido renovadas em 2005, mas não foram. A renovação envolve disponibilidade de mobilidade para serviços de dados, televisão, sistemas de transportes e todos os serviços previamente autorizados sobre esta banda, exceto telefonia. Existem 10 licenças concedidas nesta banda, mas Multivision (MVS) e Ultravision são o primeiro e o segundo maiores detentores de espectro, cobrindo 76% e 16% do MHz POP do país, respectivamente. MVS e Ultravision esperam pelo governo para decidirem pelo processo de renovação. A Secretaría de Comunicaciones y Transportes (SCT), organismo com o poder desta decisão, deixa-os em espera nos últimos quatro anos. A MVS atualmente oferece serviços pré-WiMAX, com uma solução Motorola. A MVS pretende substituir todo seu equipamento pré-WiMAX, para outros ceriticados em 802.16e-2005, que provavelmente serão fornecidos pela Samsung. A Ultravision obteve licença na banda dos 2.5 GHz e começou a oferecer serviços em 1990, de TV analógica. Desde então, ela lançou uma rede comercial de WiMAX usando equipamento da Cisco (tanto para o core como no acesso da rede), baseada no padrão 802.16e-2005, com provisão de serviços nômades. Hoje, a operadora conta com mais de 100 mil assinantes na sua rede de WiMAX. Podemos esperar que quando a renovação das licenças em 2,5 GHz ocorrer, tanto Multivision quanto Ultravision irão oferecer serviços móveis em função do número crescente de células instaladas. Um os palestrantes do 4GWorld, Alejandro Mayagoitia, acionista da MVS Mexico e presidente da Sinapsis Global, comentou: "Trata-se de uma situação bastante complexa. Esperamos pela decisão da SCT por quatro anos sobre a renovação dos 2.5 GHz. Em agosto passado, a SCT anunciou que no máximo até o dia 15 de setembro haveria uma solução. Estamos agora ao final de setembro e nada aconteceu. Agora a resolução está prevista para ocorrer a 15 de outubro próximo. É muito difícil predizer quando o processo de renovação pode ocorrer. Como há várias demandas em jogo, a SCT está na posição de retirar os atuais detentores as licenças do espectro em 2,5 GHz Ele continuou: "Poderíamos já estar trabalhando nesta banda há três, quatro anos. Se o governo iniciar o processo de remover espectro da MVS o atraso no desenvolvimento das telecomunicações no México será tal que, no tempo que for concluído, não haverá mais nenhum investidor interessado! O setor de telecomunicações avança rapidamente, e se ficarmos sentados, o México ficará muito atrás e estagnado em termos de telecomunicações. No momento em que outras tecnologias inovadoras chegam ao mercado, como a LTE ou superior, e não há infra-estrutura, não haverá implementação apropriada, não haverá fibra óptica, não haverá jogadores bem sucedidos, e o México pode ficar deserto".
A banda de 3,5 GHz também enfrenta problemas sérios. Há 300 MHz de espectro, dos quais 150 MHz atribuídos a três empresas: Axtel, Nextel e Telmex, (cada um com 50 MHz, mas Axtel é a única empresa que já usa essa banda). A Comisión Federal de Telecomunicaciones (Cofetel) planeja leiloar os restantes 150 MHz disponíveis. Uma das preocupações é que a Secretaria de Competencia impeça as empresas que já possuem espectro (Axtel, Nextel e Telmex) de participar do leilão, a fim de promover a participação de novos operadores e jogadores.
A esse respeito, Mayagoitia comentou:
"No caso da Telmex, o problema não é que eles adquiram 50 MHz adicionais. O problema é que eles não estão usando este espectro, quando um outro player poderia usá-lo melhor. No caso da Axtel, no entanto, a empresa já tem 50 MHz de espectro em uso. Na minha opinião, o regulador deve alocar a Axtel mais de 50 MHz, para um total de 100 MHz e, em seguida, retirar o espectro não utilizado da Telmex e Nextel e atribuir duas outras licenças de 100 MHz cada para novos jogadores. Desta forma, haveria três concorrentes com espectro suficiente. Entretanto, não há espectro suficiente para interessar potenciais compradores. Essas medidas, que a Secretaria de Competencia está tomando, longe de ser benéfica para promover a concorrência, cria o inverso".
No início deste ano, Maravedis ouviu de um porta-voz da Telmex no México, que a estratégia da empresa era usar o WiMAX como complemento à sua oferta atual de cabo e DSL, em áreas onde as tecnologias de telefonia fixa não poderiam ser implementadas (com equipamentos, principalmente, de Alvarion e Motorola). Naquela época, a Telmex informou possuir 20 mil assinantes de WiMAX, e afirmou ser capaz de chegar a 100 mil até o final do ano. No entanto, a Cofetel não tomou as medidas necessárias para aplicar critérios de 3,5 GHz, e parece estar preocupada com o fato de a cobertura não ter sido atingida nesta faixa de freqüência.
É possível que um operador mexicano implante uma rede WiMAX de sucesso por todo o país nos próximos anos? Segundo Mayagoitia "a MVS poderia lançar uma rede WiMAX hoje. O problema é que desde que o regulador mexicano não apóia qualquer projeto de banda larga móvel sem fio nesta banda, os investidores internacionais não estarão dispostos a arriscar e se envolver. A Intel já tem um acordo assinado com a MVS de US$ 100 milhões para instalar uma rede WiMAX na Cidade do México. A Intel tem ainda o compromisso de US$ 500 milhões adicionais para completar o projeto. Mas o dinheiro ainda mudou de mãos porque o governo não se dispôs a iniciar o processo de renovação de 2,5 GHz ".
Há muitas questões que ainda precisam ser resolvidos: primeiro de tudo, remover o espectro das mãos dos operadores que não o estão usando, e entregá-lo aos novos jogadores empenhados em implantar WiMAX. Em segundo lugar, que se disponibilize o espectro atualmente nas mãos do governo e que não foi leiloado. E, em terceiro, que se conclua a pendência de renovação de licença 2,5 GHz, adiada por anos, para permitir a mobilidade nesta banda.
Uma série de vários fatores contribui hoje para a estagnação do setor das telecomunicações no México. Mas a situação futura do país hoje está nas mãos de seu governo. Analista de mercado da Maravedis |