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Os vendors foram os únicos a demonstrar interesse real pela LTE durante o Futurecom 2009. Embora com seu roadmap pronto, como foi apresentado pelo chairman do UMTS, Jean Pierre Bienaimé, durante o evento, ocorrido na semana passada em São Paulo, a LTE ainda parece distante da realidade do restante do ecossistema local de telefonia celular, mais preocupado em otimizar investimentos feitos em 3G. É claro que alguns sinais foram dados: a Telefônica anunciou que pretende fazer seu primeiro trial em LTE em 2010 e o conselheiro da Anatel, Antônio Bedran, afirmou que novos investimentos devem ser feitos pelo setor já a partir do ano que vem, com vista aos dois grandes eventos programados para o Rio de Janeiro - a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Mas, o fato é que sem a atribuição de espectro para as tecnologias de Quarta Geração, nada pode ser concretizado.
Um dos pontos cruciais para definição dos serviços de 4G, segundo Bienaimé, é a limpeza do espectro de 2,5GHz - e das outras freqüências atribuídas à mobilidade pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), como os 700 MHz - dos seus usos atuais, principalmente o broadcasting analógico, de modo que sobrem, livres, 200 MHz de banda a serem distribuídos em canais para os novos usos. Também se faz necessário o alinhamento do espectro disponível, agora e no futuro, de modo a suportar o roaming mundial e criar escala de mercado para os dispositivos. O risco está nas incertezas quanto às atribuições dos diversos espectros de mobilidade, que podem limitar a escala e até atrasar a LTE em algumas regiões. 
Roadmap da LTE - Fonte UMTS Forum - Outubro/2009 "Os reguladores precisam coordenar e alinhar a liberação de espectro para a LTE, fator fundamental para suportar o roaming internacional, e criar economias de escala. Os governos e os reguladores devem considerar os benefícios econômicos nacionais da implantação em larga escala de LTE / SAE, fornecendo serviços de banda larga em áreas mal servidas por redes fixas, e impor esses benefícios sobre os preços estimados de um leilão ou atribuição de espectro", aponta Biernaimé. Diante deste quadro, o chairman do UMTS Forum acredita que o ano de 2015 veja o pleno estágio comercial da LTE, inclusive da parte das operadoras que investiram em HSPA e HSPA+, que já terão obtido a maturidade dos investimentos anteriores em redes. Ele prevê, até mesmo, um processo de migração direta do CDMA para a LTE. "O CDMA deve desaparecer ao longo do tempo, embora a tecnologia ainda exista em grande escala em países como a Coréia, os Estados Unidos e no Brasil, através do EV-DO". Além das incertezas de espectro, Bienaimé (foto) citou outros pontos que devem ser cuidadosamente analisados e superados. São eles: o recrudescimento da competição por tecnologia; a pronta disponibilidade de dispositivos de usuário final; o impacto da desaceleração econômica; o surgimento de novas tecnologias de ruptura; e a dificuldade de se obter o compromisso das operadoras. Além isso, o ecossistema de LTE terá que incorporar novos dispositivos e componentes, software, aplicações & serviços, novos modelos de negócio e novos players na cadeia de valor. Casamento entre TI e telecom Mas um movimento alheio ao cronograma do UMTS Forum para a LTE tende a apoiar o desenvolvimento da 4G: o casamento entre telecom e TI. "Nós mudamos de paradigma e deve haver uma ruptura com o ingresso de novos atores no cenário competitivo mundial. Todos estes atores vão chegar através do modelo de negócios de parcerias, empenhados numa estrutura win-win", pondera Bienaimé. As parcerias, inclusive, já começaram, como da BT com a Deutch ou da Nokia com Intel, o que deve criar um modelo baseado em retribuições para ambos os lados. O sucesso do iPhone da Apple traz um movimento de aplicações, como a TV móvel, cujo provimento deve se basear mais em modelos de negócios do que em tecnologia. São muitas as questões a serem respondias. É interessante manter serviços gratuitos? Como encontrar a justa parte de retribuição para todos os envolvidos? Como retribuir a quem construiu a infra-estrutura que hoje serve para o provimento de serviços como Yahoo e Google? Todas estas questões se pousam tendo como pano de fundo a crise econômica mundial. E são as tecnologias de 4G, entre elas a LTE, que trazem a garantia de banda larga para as novas aplicações de dados e de infra-estrutura para inclusão digital. A indústria se encontra numa época difícil para gerenciar crescimento com rentabilidade e a tendência é que poucos grandes vendors coexistam no futuro. Da mesma forma, o mercado das operadoras se reduziu, como podem exemplificar a incorporação da GVT à Telefônica, da Intelig à TIM e da BrT à Oi, no mercado local. "O processo de redução de fornecedores é evidente" aponta o presidente da Alcatel-Lucent do Brasil, Jonio Foigel. Assim, a tendência é que o mercado global seja repartido em áreas macro, nas quais atuarão apenas três grandes vendors. "A Alcatel-Lucent estará em algumas destas áreas macro, através da LTE, onde entramos com bastante força". A Alcatel-Lucent decidiu apostar fortemente na 4G e Foigel (foto) acredita que, desta vez, a companhia esteja no caminho certo. "Temos clientes que nunca compraram 3G da empresa fechando grandes contratos em LTE", disse ele. A estratégia da Alcatel-Lucent coincide com o cenário de casamento entre TI e telecom. "Nossa visão é ajudar as operadoras a voltarem a ser o centro de telecom, já que atualmente elas se encontram numa posição satelital", acrescentou Foigel, lembrando que a nova geração conhece marcas como Google, iPhone, Blackberry e, não, os nomes das grandes carriers. Para que as grandes operadoras de telecom voltem a estar sob o foco central do mercado é preciso se criar aplicativos e redes para um tipo de serviço que seja unificado e vá além da briga por preços. "É besteira se brigar contra Google ou Apple ou Microsoft. A briga boa é a operadora, o grande investidor de infra-estrutura de telecom, conseguir se remunerar com o uso desta rede. É preciso expor alguns elementos da rede com uma estrutura de negócios que siga um modelo win-win. No curtíssimo prazo continua a briga de produtos mas, no médio prazo, temos que agregar novos clientes", avaliou ele. O casamento entre TI e telecom foi demonstrado durante o próprio Futurecom 2009. Rogério Oliveira, presidente da IBM América Latina, e Michel Jacques Levy , presidente da Microsoft no Brasil, tomaram assento no grande painel do dia 14 de outubro, "O Cenário global das comunicações e as transformações no mundo dos negócios", junto aos presidentes das grandes operadoras Telefônica, PT Telecom, TIM, Claro e Oi. Oliveira, após considerar "muito bom" este processo de convergência, típico de um mundo altamente instrumentalizado, disse que ele é irreversível. Segundo Oliveira, já em 2010 haverá 10 milhões de tags de RFID no mercado global, para monitoramento digital de 2,5 bilhões de pessoas, que consumirão tráfego IP em grande escala. "O volume de consumo digital é tal que já se criou o termo zetabytes para se medir o uso de dados à potência de 1 trilhão de gigabytes". Para o executivo, este universo abre grandes perspectivas aos players de TI, sobretudo nas soluções de endereçamento desta infra-estrutura gigantesca. "É exigido a todos uma grande eficiência operacional", acrescentou. Neste novo ambiente onde convivem telecom, TI, mídia e internet ele afirmou que "a IBM se posiciona como parceira". Michel Levy também afirmou que a visão da Microsoft em relação às comunicações é "de integração das três telas de modo a integrar a vida do consumidor, seja ele final ou corporativo" Por que mudar? Gilson Cereda, diretor de redes de Acesso da Ericsson no Brasil, defendeu durante o Futurecom 2009 que as operadoras precisam se preparar para a LTE por uma questão de evolução. "Em 11 anos haverá 11 bilhões de dispositivos móveis no mundo, para gerenciar do estoque das geladeiras aos acidentes com automóveis. Como hoje existem serviços sem os quais não poderíamos viver, da mesma forma surgirão outros", alertou o executivo. Para ele, há uma clareza em relação à LTE como não se viu antes na indústria de telecom, o que "traz conforto para quem investe". São 39 operadoras comprometidas com LTE, das quais 20 pretendem lançar redes em 2010. Por mais que o mundo desenvolvido esteja em crise, há contratos com os países emergentes que, segundo ele, garantem a participação da ala em desenvolvimento do planeta. Quanto ao Brasil, Cereda acredita que ele pode se o primeiro país da América Latina a adotar a LTE e, não apenas, como mero usuário do que é desenvolvido lá fora, mas como desenvolvedor de soluções. "É claro que isto depende de regulamentação de espectro, providência que requer rápida definição de modo que se preparem as redes e se monte um parque industrial para que possamos usar o Brasil como base para exportar para América Latina, África etc.", disse ele. |