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O m-payment está à toda no país, mas é preciso superar a desconfiança entre telcos e bancos. Afinal, o cliente é um só.
A informação oficial: A formatação de modelos para o provimento de serviços financeiros móveis está a toda no país. A informação não oficial: é hora de entendimento para superação da desconfiança entre os players do setor - redes móveis, bancos e instituições de cartões de crédito/débito. Afinal, após muita resistência em ‘entregar' um para os outros os seus clientes, estes três segmentos descobriram o ovo de Colombo: o cliente é um só. É preciso mais do que compreender o modelo de implantação dos serviços financeiros móveis em outros mercados emergentes - como o bem sucedido mercado africano. Deve-se pinçar, avaliar e entender cada uma das características específicas da demanda local. Por exemplo, no Brasil, ao contrário da África, os bancos têm marcas fortes e o seu voto é potente nas decisões. Aqui, também, será através do interesse pelas soluções por parte das operadoras que se poderá falar em massificação destes serviços. Neste triunvirato, as gestoras do crédito, em plástico ou eletrônico, estão entusiasmadas, pois se apresentam como o elemento neutro necessário à convergência de tantos interesses. Durante o Mobile Money Summit 2010, que se encerra hoje no Rio de Janeiro, sob os auspícios da GSM Association (GSMA), muito se tratou sobre as melhores abordagens para introdução dos serviços financeiros móveis nos países emergentes. Especialistas de vários destes mercados se sucederam em esmeradas apresentações e, durante os intervalos, as conversas e negociações seguiram ritmo intenso. A questão agora não é mais se é interessante ou não a implantação dos serviços financeiros móveis na região e, sim, o modelo ideal, a killer application que permitirá ao ecossistema envolvido no seu provimento obter a maior e a melhor fatia de mercado. As preocupações dizem respeito à necessidade de requisitos de segurança sem necessidade de investimentos pesados em Opex e Capex. Daí a necessidade de se buscar um modelo que vá além da visão meramente financeira do negócio. À necessidade de associação entre os diversos atores deve se somar um modelo atraente para o consumidor final. Assim, não só os riscos devem ser identificados, mas os parceiros muito bem escolhidos. Em geral, o modelo de aplicações específicas voltadas a um mercado segmentado tem tido a melhor aceitação. E as soluções capazes de educar o mercado têm tido boa aceitação. Muitos dos palestrantes presentes repetiram o mantra: "Pensar grande. Começar pequeno", tendo sempre em vista uma rápida escalabilidade. É claro que neste ambiente as operadoras de redes móveis têm papel de destaque, já que é o celular que se transforma para o consumidor no meio de pagamento, de transferência de fundos, de obtenção de crédito. O momento é considerado oportuno, pois já se pode falar numa saturação dos serviços básicos de celular, mesmo entre as classes mais baixas. Além disso, o SMS é a ferramenta para a realização das operações financeiras móveis e é o tipo de serviço já assimilado pela maioria dos segmentos de usuários. Ou seja, trata-se de uma solução rentável que funciona perfeitamente em 2,5 G. Posição do Brasil Mais do que qualquer outro mercado da região latino-americana, o Brasil está maduro para ver implantadas soluções de serviços financeiros móveis. Gavin Krugel, diretor global de Mobile Money da GSMA, lembra que "a América Latina ainda está muito atrás do resto do mundo, em termos de pagamento móvel. Mas, o Brasil, ao contrário do resto do mercado, viverá, de seis a 12 meses, o crescimento do número de implementações destes tipos de serviços". Mas ele adverte que o que o mercado consumidor quer é "conveniência e aplicações específicas, como compras móveis e os serviços financeiros básicos". Ou seja, um tipo de serviço de massa capaz de atrair o público que em geral não tem conta bancária ou embora a tenha não a usa, por desconhecimento ou questão cultural. De acordo com Roberto Rittes, diretor do Oi Paggo, a solução de m-payment da operadora Oi, no Brasil se verifica dois fenômenos importantes. O primeiro é o fato de o celular ser capaz de atender a quem não tem conta bancária (os chamados desbancarizados) e também o contingente das classes D e E que abriu suas contas, mas não as usa. E o segundo, de que o m-payment pode ajudar à massa usuária de celular a se habituar a usar o aparelho móvel para ver o saldo de sua conta corrente, pagar contas de serviços básicos e transferir pequenas remessas para membros da família. "Mais pessoas acostumadas com o serviço significa mais serviços a preços mais baratos para prover o serviço com uma melhor infraestrutura", aponta Rittes. As filas que hoje se vê nas agências lotéricas - que atendem a estas classes sociais desbancarizadas - podem ser minimizadas com o uso do celular numa transação peer to peer. Assim, as agências não ficam sobrecarregadas e podem atuar como canais complementares junto às redes dos correspondentes bancários, ou seja, o pequeno comércio varejista que já vende recarga de para celular pré-pago num POS. Do ponto de vista do cliente o m-payment pode servir como um item de melhoria do perfil de crédito junto às instituições financeiras. E todos estes serviços a partir de 80% dos modelos mais simples de celular que já usam linguagem Java. Ricardo Pareja, diretor de produtos móveis da Mastercard do Brasil, acredita que o negócio de franquia de pagamentos, tanto para os bancos que atuam com o consumidor final como no ambiente corporativo, se apresenta como um modelo de negócios bastante atraente. "Hoje, com o cartão de plástico já está bem disseminado, olhamos o uso do celular no pagamento móvel como forma de penetração nas diversas classes sociais, já que o dispositivo móvel se insere em diversos estilos de vida. O celular hoje é o meio de as pessoas de renda mais baixa realizarem uma serie de aplicações de valor agregado, como download de música e acesso à internet, por exemplo", disse o executivo. Assim, não é difícil vincular o cartão de débito ou crédito ao telefone com dois objetivos principais: trazer dinheiro novo e novos estabelecimentos para uma área já próxima da saturação. Assim, o modelo que une os clientes dos bancos e das operadoras cria novas maneiras e atingir segmentos potenciais, como táxis, feiras-livres, delivery e compra remota, unindo os clientes bancarizados aos desbancarizados. Por exemplo, alguém das classes A ou B habituado ao mundo móvel nas suas transações financeiras precisa se dirigir pessoalmente a uma agência bancária para sacar dinheiro necessário ao pagamento de um empregado doméstico, que não tem conta corrente. Numa solução de pagamento móvel via SMS, esta necessidade não existe mais. Detentor de uma conta de crédito pré-paga, o empregado pode receber o pagamento, seja ele diário, semanal ou mensal, de forma on-line e, em alguns minutos, já dispor do dinheiro. Quem paga, por sua vez, pode fazê-lo de forma remota. A Mastercard junto aos bancos Bradesco e Itaú, a operadora Vivo e a Redecard vai lançar um serviço deste porte, no esquema de co-branding, no estado de São Paulo no segundo semestre de 2010. "Podemos afirmar com segurança que este o momento da mobilidade para o segmento", disse Pareja. |