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A indústria de satélite não ficou de fora do interesse pelo crescimento da cloud computing. E, entre as várias oportunidades que se abrem para este setor, o vídeo surge como uma das principais aplicações. Uma tecnologia tipicamente de baixo a médio custo no caso de aplicações de broadcast, a transmissão de imagens de alta definição emerge como um bom negócio para as satcom. Não se trata de um mercado sem obstáculos, no entanto: as companhias de satélite são constantemente desafiadas por outras plataformas de vídeo - online, móvel etc. De qualquer forma, no ambiente híbrido sonhado pelos apostadores de cloud, onde os recursos das companhias públicas e privadas se combinam, a capacidade de entregar tráfego pesado coloca os players de satélite em destaque no novo cenário criado pelas aplicações em nuvem.
Vídeo e mídia rica (Dlash, Mpeg4 etc.) tornam a cloud computing interessante para as satcom, que dispõem de uma proposição de valor para oferecer grandes negócios. O caso de uma grande empresa que queira um link de vídeo em cloud, mas teme arcar com os custos de infraestrutura e só vê vantagem nos serviços fora da organização se apresenta como uma das principais oportunidades. Outra aplicação potencial é uma companhia de treinamento. O satélite a habilita a usar diferentes tipos de mídia (vídeo, mídia rica etc.) e de produzir textos e gráficos. Também há o segmento de segurança da nuvem e gerenciamento de riscos (detecção de intrusos, anti-vírus e proteção contra malware e spam). Neste segmento é única a posição das satcom, pela sua capacidade de entregar tráfego de usuários de internet com facilidade. Em última instância é o próprio usuário que passa a exigir esta funcionalidade da cloud ao mesmo tempo em que obtém a segurança como oferta de serviços. O satélite provê uma rede que oferece conectividade remota para serviços de cloud através de links com ou sem fio. Para as companhias de satélite esta é uma oportunidade de oferecer aos clientes o compartilhamento de recursos de computação, oferecendo este tipo de acesso sem importar o quão remota a presença possa ser. O mercado de aplicações geoespaciais também tende a se beneficiar dos novos usos da nuvem. Duncan Mc Carthy, cientista pesquisador da National Geoespacial Intelligence Agency (Niga), disse com exclusividade à revista Via Satellite, que a cloud pode ser aplicada na computação geoespcial para solucionar questões críticas numa única máquina, porque confere tempo de processamento de altos volumes de dados de maneira simples e muito eficiente. O cientista se refere ao uso da cloud computing numa de suas definições. Hoje, há pelo menos três definições para cloud. A primeira é de que ela significa simplesmente rodrar máquinas virtuais. A segunda de que ela se refere a serviços web ou internet. Mas as aplicações geoespaciais e de satélite em geral se inserem na terceira definição de cloud, ou seja, uso simultâneo de várias máquinas juntas para rodar um único programa - o que historicamente foi denominado de "cluster computing" ou "grid computing". A cloud computing também pode tornar a indústria de satélite mais eficiente em setores como o de aceleração de redes WAN e as appliances de entrega de aplicações. Esta arena, hoje, é liderada por Cisco, Riverbed e Blue Coat. Este aplicação tem gnhado espaço, pois é possível entregar appliances onde o cliente tem seu datacenter e que, essencialmente, faz com que as redes pareçam mais rápidas - além de combater a latência e o congestionamento. Latência Aliás, a luta contra a latência tem sido uma das maiores. O The Yankee Group, em pesquisa recentemente divulgada lembra que, mesmo os defensores mais ferrenhos da computação em nuvem admitem que a latência da rede pode prejudicar sua adoção, em 2010, uma vez que uma rede madura é pré-requisito para a entrega de aplicações "on the fly", numa escalabilidade dinâmica e numa nuvem altamente disponível. Assim, o TYG insta os provedores de cloud computing a investir fortemente nas suas infraestruturas de tecnologia de base. Zeus Kerravala, research fellow da firma de consultoria, acredita que os provedores de telecomunicações estejam bem posicionados para "fechar o gap" entre os ambientes de cloud privado e público, um dos principais desafios da adoção em nuvem. Já no caso da indústria de satélite, "os avanços tecnológicos em equipamentos e na prestação de largura de banda média para clientes de banda larga via satélite num um número crescente de setores do mercado permitem o acesso a aplicações corporativas e serviços de rede, independentemente da localização". A ND SatCom, uma empresa SES ASTRA, apresenta em Joanesburgo, durante o Mundial da África do Sul, uma das primeiras soluções de TI a oferecer às empresas geograficamente distribuídas ou a seus prestadores de serviços de TI uma solução com latência muito baixa, virtualizada e com largura de banda otimizada por software front-end no usuário. A solução XWARP foi especialmente desenhada para as aplicações críticas do negócio, tais como SAP, Oracle, SharePoint e MS Office.
"Superar a latência e manter uma planilha de custos razoáveis são desafios típicos de transmissão de redes de comunicação via satélite. E nem sempre o satélite é a primeira escolha para backup de redes e conectividade empresarial no caso das aplicações críticas do negócio", diz Christian Adolph, diretor de Marketing da ND SatCom. Segundo ele, o diferencial do produto é a combinaçãode satélite com tecnologia de virtualização da Citrix, para viabilizar o uso eficiente em termos de custo da cloud computing via satélite. Banda larga O mercado de banda larga via satélite é positivamente impactado pelos novos recursos de computação que a computação em nuvem traz. A tendência é aplicações de software como serviço (SaaS) em filiais, funcionários remotos, home-offices e negócios para pequenas e médias empresas. Muitos destes eary-adopters remotos já adotam banda larga via satélite ou começarão a fazê-lo em breve, se quiserem ter acesso às suas aplicações SaaS. A internet de alta velocidade é essencial para uma experiência aceitável do usuário final, quando ele usa aplicações baseadas em nuvem. A Northern Sky Research prevê que a banda larga via satélite possam saltar de US$ 3,3 bilhões em 2008 para US$ 7.6 bilhões em 2018. Patrick French, analista sênior da consultoria. Acrescenta que "a demanda por serviços corporativos de banda larga por satélite foi bastante positiva em 2009, considerando-se o clima econômico internacional".
Franch está confiante de que a demanda aumente este ano e, em especial, em 2011. "Certo número de projetos de satélites anteriormente adiados serão executados este ano. A procura de banda larga por satélite tende a seguir as condições econômicas, no entanto, ao invés de se apresentar como indicador precoce de perspectivas econômicas futuras. Mas não há demanda reprimida e nós sentimos que serão os prazos serão cumpridos nos próximos 18 meses".
A captação em banda larga via satélite é forte em vários setores, incluindo mineração, exploração de petróleo e transporte de gás, bem como governos (particularmente as embaixadas e ministérios dos Negócios Estrangeiros).
As organizações estão cada vez mais dispostas a implantar as mesmas aplicações em banda larga via satélite como já o fazem em suas redes terrestres, tais como VoIP, segundo explicação de Michel Verbist, gerente de soluções de produtos de satélite da Orange Business Services. Companhias de petróleo e exploração de gás, por exemplo, estão particularmente interessadas na vídeo-conferência como um meio de conexão de seus executivos em locais inacessíveis.
Os avanços tecnológicos No passado, os clientes executavam uma versão enxuta de aplicações corporativas para combater os efeitos da latência em aplicações web que dependem de tempo de resposta rápido. No entanto, os clientes de banda larga via satélite agora podem utilizar as aplicações populares como o Microsoft Exchange ou Lotus Notes e desfrutar de taxas de throughput de dados previsíveis, embora a capacidade da rede via satélite seja compartilhada entre todas as suas localizações.
"Existem várias técnicas de aceleração que podem ser empregadas para minimizar os atrasos causados pela latência", explica Verbist. "A voz via satélite em ambiente IP á têm boa qualidade para chamadas fixas e móveis e o usuário não notará qualquer atraso. Houve também melhorias significativas no fornecimento de comunicações por vídeo via satélite, que funciona bem mesmo em uma conexão de 256 Kbps", diz o executivo.
Outras melhorias permitiram a sites remotos alterar sua modulação de código (o meio pelo qual os dados são transmitidos) quando sofrem interrupções por causa de falta de energia ou condições meteorológicas adversas. Enquanto as redes de satélites têm sido tradicionalmente configuradas para lidar com esses cenários de pior caso, um nó com a largura de banda limitada afetaria toda a rede. A modulação automática de código permite que os sites afetados mudem sua modulação para eliminar o impacto de seu acesso limitado sobre o resto da rede.
Uma das principais fontes de demanda por banda larga via satélite é a intregração de sites remotos globais como a rede IPVPN corporativa. No setor marítimo, isso permite que as companhias de navegação usem o planejamento de recursos empresariais (ERP) para gerenciar seus ativos de forma mais eficaz através da implementação de aplicações que monitoram os parâmetros da sua embarcação - tais como inventários e desempenho do motor - e possam geri-las em tempo real. Isto permite que o navio otimize o consumo de energia e reduza custos, ao mesmo tempo em que executa funções de suporte de manutenção remota. Crescimento na África, na América Latina "Em termos de mercados geográficos, África e Oriente Médio continuarão a ser importantes, enquanto a América Latina irá experimentar aumento da demanda, principalmente de clientes do governo", diz Patrick French. "A demanda na Europa Central e Oriental foi menor no ano passado devido à queda das receitas do petróleo e os problemas da moeda."
"O mercado global para serviços de banda larga via satélite ainda está em expansão e temos previsão de crescimento de dois dígitos neste ano", conclui Verbist, da Orange Business Services. "Temos lidado com falta de capacidade no passado, mas a situação irá melhorar esta capacidade, durante 2010, como novos satélites lançados. África, Ásia e América Latina representam cada uma cerca de um quarto do mercado global de empresas de satélite. Enquanto esperamos que a demanda na África - que tem sido particularmente forte nos últimos anos - aumente. Além disso, buscaremos ampliar nossa presença nos outros mercados-chave, mesmo na América Latina, onde o mercado é dominado por operadoras locais de telecomunicações", conclui Verbist.
A expectativa geral é que as companhias de satélite invistam na própria capacidade de cloud computing, em suas próprias estações de campo, de modo que os dados sejam baixados em processados em informação que gere produtos mais sofisticados e que possam ser entregues rapidamente ao consumidor. Também há a alternativa de se contratar empresas como Google e Amazon para fazer o processamento. A 03b Networeks, da qual o Google é um dos principais investidores, é um bom exemplo de uma companhia de satélite que se posiciona para obter benefícios da cloud computing. Ela irá sem dúvida usar muito a Web 2.0 e outras aplicações baseadas em cloud que irão requerer baixa latência. Baixo custo e alta capacidade de banda. * Pesquisa e texto final |