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Coréia e Japão, dois dos mais avançados países na área das comunicações, desmentem o bordão de que o WiMAX, com o advento da LTE, tende a ocupar nichos, sobretudo nas economias emergentes. A operadora japonesa UQ Communications e o vendor coreano Samsung publicaram os resultados do trial em WiMAX 2 802.16m que, de acordo com as duas companhias, comprovaram velocidade de rede de 330 Mbps. Isto significa que o WiMAX é uma tecnologia de 4G plena, quando há investimento e planejamento, e funciona muito bem em redes urbanas de grande cidades.
O teste adotou o vídeo full HD 3D da Samsung, já disponível comercialmente, e o padrão do WiMAX 2, que traz o selo de aprovação da UIT como tecnologia 4G e deverá ser concluído neste mês de novembro. O fabricante coreano promete lançar suas primeiras soluções baseadas no padrão m do WiMAX ao final de 2011. Da Coréia do Sul vem a informação de que a operadora KT expandiu sua colaboração com a Intel, dos EUA, de modo a conduzir a adoção em todo o país da tecnologia WiMAX, a partir do WiBro. O acordo com a fabricante de Santa Clara prevê, entre outros itens, criar fundos de investimento e apoiar o rollout da nova rede em cinco cidades sul coreanas. A Intel Capital se comprometeu a liberar US$ 20 milhões na Wibro Infra Co. (WIC), joint venture entre KT, Samsung e Kulacom Broadband Investment Company (KBIC), para apoiar a construção da rede. A meta da KT é ter cobertura nacional em WiMAX em março de 2011 para 85% da população sul coreana. A KT pretende, ainda, fazer a migração da sua rede WiBro para o padrão de canal de 10MHz do WiMAX, de modo a viabilizar a interoperabilidade e o roaming mundial da rede. O projeto considera que esta migração dobre a qualidade do serviço e, ainda, que permita melhor integração com sua rede WCDMA em operação e a infraestrutura de WiFi. São iniciativas importantes que demonstram a viabilidade de implantação do WiMAX muito além do provimento de banda larga sem fio em áreas rurais. Para o usuário final, é claro, o que importa na 4G são as maiores velocidades, capacidade de dados e a promessa de mais serviços a tarifas palatáveis. Tão palatáveis que incentivam não apenas as companhias privadas do setor, mas também os governos de países desenvolvidos e emergentes a encarar a 4G (leia-se banda larga móvel de alta velocidade) como fator de crescimento econômico, novas oportunidades na área da educação e de aperfeiçoamento dos serviços essenciais que devem prestar à população. Mas, embora todos concordem que a 4G pode mesmo viabilizar tudo isso, uma questão permanece, obsedante: Qual das duas tecnologias móveis aprovadas pela UIT será o novo paradigma das redes móveis, WiMAX ou LTE? De acordo com Bruce Brda, VP sênior da Motorola Networks, a resposta é: ambas. Sua visão é de coexistência das duas tecnologias, lado a lado, para provimento de diferentes necessidades de negócios às operadoras ao redor do mundo. Numa indústria conhecida pelas disputas por padrões tecnológicos, avalia Brda, o debate em torno da 4G não seria diferente. O executivo acredita que é urgente que as operadoras mudem a mentalidade, foquem seus objetivos nas necessidades de mercado e adotem a plataforma que melhor responde a estas necessidades. "A base de usuários de LTE já sabe quem ela é, do mesmo jeito que a base de usuários de WiMAX. A LTE será a evolução natural nas redes de hoje das operadoras móveis. O WiAX será um fator em qualquer outra decisão, sobretudo nos operadores green-field que desejam uma vantagem de time-to-market". Brda se baseia no fato de que o padrão do WiMAX está disponível de imediato, enquanto a LTE, embora tenha começado seus lançamentos de rede neste 2010, não deve impactar o mercado antes de 2012. Outro elemento chave é que ainda precisa ser resolvida a questão da agenda da LTE, que determina em que data serviços como voz e vídeo em tempo real terão prioridade numa rede móvel. A experiência do WiMAX também é maior em termos de Time Division Duplex (TDD), ou espectro não emparelhado. O espectro em TDD é cada vez mais visto com ideal para alto consumo de dados, e capaz de permitir às operadoras a melhor alocação de sua capacidade de downlink e uplink. A Frequency Diviosiion Duplex (FDD) usada nas redes de voz de hoje, são balanceadas num modo não muito eficiente para se transmitir dados. E embora a versão 4G da LTE preveja alocação em TDD, a questão atual das redes de voz precisa ser encarada. "Diante da demanda por dados em todo mundo, a TD-LTE será parte da solução final que resolverá esta equação. Há uma série de exigências no conjunto de soluções tecnológicas e a TD-LTE irá ter papel importante em sua provável coexistência na mesma rede com a FDD LTE", acrescenta Brda. Assim, ao final das contas, o mundo da 4G será caracterizado por uma combinação de soluções que atendam à demanda do usuário por serviços de dados. Adotar esta mentalidade significa que a indústria móvel deve deixar de lado o debate tecnológico. "A realidade é que nós iremos conectar mais pessoas por uma via mais veloz e com mais de uma única solução viável. As operadoras, fundamentalmente, precisam dar o melhor delas mesmas: usar a combinação mais apropriada de tecnologias para resolver seus problemas de negócios e atingir sucesso no mercado", conlui Brda. Fonte: revista Mobile do Informa Telecoms & Media |