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Ao vencer o leilão da banda da H, a Nextel criou escassez de espectro para as operadoras filiadas à 4G Américas. Assim, uma das prioridades na lista da associação para 2011 é a licitação das bandas de freqüências para próxima geração da telefonia celular, nos 2,5GHz. Também devido ao acirramento da competição no mercado brasileiro, deve haver um esforço extra na modernização das redes, com implantação de infraestrutura em HSPA+, o que permitirá a prestação de serviços mais competitivos e a otimização do uso do espectro. De qualquer forma, Erasmo Rojas, diretor para a América Latina da 3G Américas (foto), sabe que as coisas também não serão fáceis para a Nextel. "O verdadeiro impacto do leilão da banda H dependerá das próximas estratégias dos cinco competidores", disse ele.
A partir de 2011, as operadoras com atuação deverão trabalhar sobre o cenário de uma penetração da telefonia móvel acima dos 100% (o índice deve superar os 103% até o final de 2010). O mercado brasileiro, agora, está acima da taxa de penetração do continente latino americano, que e de 95%. Aliado a esta realidade, está o fato de que a comunicação básica (um bom serviço de voz) está mais ou menos satisfeita. E, outro ponto importante: a penetração da banda larga móvel no país deve fechar 2010 com aproximadamente 10% do total da base (de 200 milhões), também acima da média latino americana, que é de 6%. "Trata-se, de fato, de um fenômeno interessante que irá acirrar a concorrência no segmento de serviços móveis de valor agregado (VAS móvel). Com a receita média por usuário (Arpu) girando em torno dos US$ 14/mês (a média da região é US$ 13/mês), o Brasil terá que se esforçar mais no tocante a oferta de dados", acrescentou Rojas. Aliás, é justamente nos dados onde o percentual brasileiro (15% dos serviços) perde da região (19% dos serviços). O desafio, assim, é ultrapassar a oferta de serviços básicos e partir para um portfólio de VAS móvel, aumentando a velocidade das redes 3G, o que deve desaguar em investimentos no HSPA+. "A 3G vai seguir crescendo em 2011, mas veremos redes em HSPA+ nos mercados e maior densidade, como São Paulo, Rio de Janeiro etc., porque parte dos usuários quer maior capacidade de dados, disponibilidade de acesso às redes sociais, mais velocidade na hora de baixar arquivos, enviar torpedos etc.", pondera Rojas. Sem a possibilidade de mais espectro para 3G após o leilão da banda H, a implantação de redes HSPA+ adquire certa urgência. "Como as operadoras das redes móveis com atuação no país não puderam ter acesso a mais espectro, durante 2011 esperamos que ocorra o leilão da 4G, para licitar mais espectro nos 2,5 GHz. Também esperamos um movimento para o total aproveitamento do espectro da 3G, através do HSPA+. O exemplo do Chile é emblemático: com o HSPA+ as operadoras móveis aumentaram a velocidade de suas redes em duas a três vezes", acrescenta Rojas. O HSPA+ permite, por exemplo, melhor adesão a serviços móveis de alto valor, como o de vídeo móvel, cujo crescimento é bastante significativo. Para dar um exemplo, o vídeo móvel já responde por 40% das chamadas do serviço Skype. Não apenas falar, mas ‘ver' o interlocutor se apresenta como uma das aplicações mais rentáveis do HSPA+. Para as quatro operadoras (Vivo, TIM, Oi e Claro) que ganharam um novo concorrente (Nextel) há boas perspectivas, no entanto. A demanda reprimida por banda larga móvel e o fato de usarem a mesma tecnologia devem resultar em serviços de maior abrangência e a preços menores. É claro que os preços dos serviços dependem da redução do custo das tarifas de importação para que se reduza o preço dos novos dispositivos móveis que transformam a navegação pela internet móvel numa experiência agradável. "Comprar mais facilmente e a custos menores vai abrir mercado para estes equipamentos. É fundamental que uma estratégia conjunta entre governo e operadoras reduza estes custos", afirma o diretor da 4G Américas. |