Um ‘plano nacional de espectro', a exemplo do Plano Nacional de Banda Larga levado adiante pelo governo federal. Esta é uma das sugestões de Erasmo Rojas, diretor para América Latina e Caribe da 4G Américas, para agilização dos trials de LTE no país. O representante das operadoras americanas participou do evento LTE Latin America 2011, ocorrido na semana passada, no Rio de Janeiro, onde a questão do espectro preponderou entre as condições chaves para a disseminação da próxima geração de telefonia móvel da família 3GPP/UMTS. Mais precisamente, há um forte interesse pelos 700 MHz, o ‘filet mignon' das bandas radielétricas nos Estados Unidos. O empenho por esta faixa é tão grande que o assunto já é tratado no âmbito da Citel, o órgão regulador de telecomunicações das Américas, ligado a UIT. O uso potencial dos 700 MHz para a 4G, inclusive, deve constar da pauta de recomendações do time da Citel durante a próxima Conferência Mundial de Radiocomunicação (WRC-11), prevista para acontecer em novembro, em Genebra.
Não será surpresa se a Citel, entre as recomendações que pretende apresentar na reunião de Genebra, sugerir o uso dos 700 MHz para a 4G, além da faixa em torno dos 2,5GHz, já definido como espectro da próxima geração. Um argumento contundente é a amplitude da faixa e sua capacidade de atender a projetos de inclusão digital, que se disseminam na região latino-americana e caribenha. A Telcel, do México, e a Movistar da Colômbia já planejam suas redes de 4G nos 700 MHz e ambas já estão em fase de testes nesta faixa. Nos dois casos, o governo cedeu o uso de parte da faixa de forma temporária, para que a avaliação seja levada adiante. No Brasil, por enquanto, não se fala em ‘mexer' nos 700 MHz antes de 2015, já que a faixa foi reservada pelo governo federal para o processo de transição da TV analógica para digital. E, como membro da Citel, o ‘veto' brasileiro ao uso dos 700 MHz no país para outros serviços que não o da transição da TV pode ser importante. Com mais de 214 milhões de assinantes no primeiro trimestre de 2011, o Brasil é o maior país da América Latina em termos de adoção de tecnologias sem fio pela população, numa lista de dez, elaborada pela Merryl Lynch, com data de abril de 2011. No entanto, os outros nove países, juntos, somam 295 milhões de assinantes. Destes, o segundo maior, o México (93 milhões de assinantes), e o quarto, a Colômbia (44 milhões de assinantes), já anunciaram sua adesão à LTE nos 700 MHz. Além disso, os Estados Unidos, que escolheram os 700 MHz para a 4G, e o Canadá também são representados na Citel. O jogo, assim, parece equilibrado e é preciso acompanhar com cuidado as discussões preparatórias regionais para a WRC-11 que ocorrerão em algumas cidades do Continente. Uma das sugestões da 4G Américas apresentadas por Rojas é o uso das fatias dos 700 MHZ que não estão ocupadas pela transição da TV. "Não é necessário que a migração de TV analógica para digital esteja 100% completa para que outros setores utilizem segmentos dos 700 MHz. Pode ser feita a cessão temporária destas fatias ociosas para que se adiantem os testes de LTE", diz o diretor da entidade. Outra sugestão é que a Anatel, agencia reguladora brasileira de telecomunicações, pense num modelo de uso de faixas de espectro por tipo de cobertura tendo como contrapartida a implantação de banda larga em áreas rurais e/ou remotas. Diante da capacidade de transmissão de dados em LTE através das bandas de 700 MHZ, 1,7 a 2.5 GHz e 2.7 GHz é possível se pensar num modelo de cessão de espectro por tipo de cobertura. Assim, não se falaria mais em ‘leilão de 3G', ou ‘leilão de 4G' etc., mas em cessão de faixas por tipo de cobertura. Esta tendência já se verifica na Europa, onde, em 2010, houve concessões conjuntas de espectro em 300 MHz, 700 MHz (para projetos de inclusão digital), e 1,8 GHz e em 2,5 GHz. Em âmbito regional, este mesmo modelo de cessão de espectro foi adotado na Colômbia que, em quatro anos, obteve índice 400% de penetração de banda larga móvel ao oferecer espectro por cobertura nas várias faixas disponíveis. "Por isso, uma das sugestões da 4G Américas é a cessão de licença experimental nos 700 MHz, no caso do Brasil. Os testes em LTE é o tipo de operação que necessita de pelo menos um ano de aprendizado e este tipo de licença pode garantir testes mais acurados", continua Rojas. Para o diretor, o motivo da inclusão digital é bem forte. Por enquanto, o uso da banda larga móvel no Brasil ainda é mais disseminado entre as classes A e B, em planos pós-pagos. Rojas acredita que um plano que capacite mais banda ao uso de dados possa beneficiar os mais de 80% de clientes de linhas pré-pagas. Diante do adiamento do Leilão de 2,5 GHZ deste ano para o próximo, a 4G Américas considera importante que se acene com a capacidade de promoção da LTE, com revisão da política de concessão de espectro da parte do governo. Da parte das operadoras o esforço imediato é investir em backhaul e em aparelhos inteligentes de forma a aperfeiçoar as redes 3G. Em miúdos, isto significa migração em massa para o HSPA+. Diante da chegada de smartphones e tablets - e do Android - as operadoras começam a pensar seriamente em aumentar a capacidade de suas redes 3G em operação, até porque com uma Copa do Mundo e as Olimpíadas na agenda elas têm que fazer algo, e rápido, para começar a rodar aplicações como vídeo em alta definição, jogos e M2M. As redes HPSA+, assim, podem servir como meio de pressionar o governo a encarar com maior urgência os planos para a LTE. |