A TD-LTE, versão Time Division da LTE, é capaz de se transformar na arma secreta da China. Da mesma forma que o padrão de 3G TD-SCDMA antes dela, a TD-LTE foi pensada inicialmente como um nicho de tecnologia restrita na China. Mas, o padrão 3G falhou ao forjar um trilho para sua descendente LTE, sofrendo de falta de maturidade, mesmo com a tecnologia tendo sido imposta pelo governo. Agora, com a TD-LTE, as coisas parecem consideravelmente melhores. Além de amplamente adotada pela comunidade dos vendors, ela foi bem recebida pelas operadoras tanto na China quanto na Europa Ocidental. O ponto chave neste caso é a disponibilidade de espectro, já que o 3GPP identificou várias bandas adequadas à LTE baseada em TDD, disponíveis em vários países através do mundo e negociadas a preços menores por MHz/população que seu equivalente em FDD.
Embora o padrão TD-LTE tenha sido encubado na China, os desenvolvimentos mais recentes provêm de vários sítios. Há, por exemplo, atividade significativa no Japão, na Índia e na Rússia, bem como um número considerável de usuários na Austrália. Ao surgir claramente como a tecnologia de escolha das operadoras de 3GPP e 3GPP 2 que estudam a migração em direção às redes OFDM, sua atratividade é acrescida pela habilidade de uso de espectro para ambas as versões - FDD e TDD, permitindo às operadoras globais padronizar numa única tecnologia de banda larga móvel, se tiverem espectro, o uso de FDD e TDD em diferentes mercados. A GTI (Global TD-LTE Iniciative) foi lançada no Mobile Word Congress (MWC) 2011, pelos membros fundadores China Mobile, Barthi Airtel, Softbank Mobile, Vodafone, Clearwire, Aero2 e E-Plus, o que indica a prospecção de se disseminar a tecnologia. Ao desenhar a LTE, o 3GPP concordou pela primeira vez em ter uma especificação de rádio comum para FDD e TDD, para facilitar um ecossistema global e obter benefícios com economia de escala. Também foi possível manter capacidade similar, experiência de usuário e capacidade de cobertura. Segundo alguns vendors, entre eles a Motorola, a TDD pode ser considerada um pouco mais eficiente devido à natureza desigual do tráfego de dados (subida e descida) e da eficiência espectral, embora a TDD forneça, em realidade, menos de dois para três por cento de impacto, na sua diferença em relação à FDD. Já a FDD, enquanto ganha em termos de sinalização, perde em consumo de espectro. Ainda que a TD-LTE esteja atrás de sua irmã a, FDD, à medida que as implementações se agilizam no mundo, ela está emparelhada em termos de espectro. Além disso, as implementações de LTE baseadas na versão FDD da tecnologia não devem atingir seu momentum no mercado de massa antes de meados de 2012, e as atuais tecnologias de banda larga móvel, o HSPA+ por exemplo, ainda são encaradas como tendo muito espaço. Mas isto não impede que os testes em LTE continuem. O regulador chinês de telecom, Ministério da Indústria e da Tecnologia de Informação (MIIT), aprovou formalmente 50 MHz de espectro na banda 2620-2670 MHz para os testes de TD-LTE, em abril passado. A China Mobile já começou a construir redes de testes em seis cidades, entre elas, Xangai, e uma rede showcase em Pequim, a capital. Cinco vendors foram aprovados pelo MIIT e cada um deles será alocado numa cidade, onde serão instaladas 200 estações de base. A China Mobile estima que a rede esteja construída antes do final de 2011 para que comece o processo de otimização e de testes. Os dispositivos são sempre um obstáculo nesta indústria, sempre que uma nova tecnologia surge. Assim, faz sentido que os early-adopters estimulem o ecossistema. Em meados de setembro, China Mobile e Clearwire anunciaram uma colaboração para acelerar o desenvolvimento de dispositivos em TD-LTE. As duas companhias, especificamente, concordaram em trabalhar juntas no cultivo de um ecossistema que suporte dispositivos multimodais e multibanda, baseados nos testes bem sucedidos de TD-LTE e nos testes de dispositivos em TD-LTE já disponíveis comercialmente ou com produção concluída de vários fabricantes. Em termos de implantação geográfica, a Índia é vista como outro potencial foco para a TD-LTE e, ao final de 2010, a empresa Wireless Broadband Business Services Private Ltd., uma ‘venture' de LTE da qual a Qualcomm participa e a fabricante Ericsson, demonstraram TD-LTE em 2.3 GHz em ambiente externo (outdoor). A demonstração realizou a transmissão de streaming de vídeo ao vivo em múltipla alta definição numa van na área de Gurgaon, realizando a entrega sem falhas entre estações de base e mantendo a continuidade da sessão. Embora o WiMAX seja encarado no momento como a tecnologia mais adequada para a Índia, a proprietária de espectro indiano em BWA, operadora Aircel, bancada pelo investidor da Malásia Maxis Communications, avalia tanto o WiMAX como a TD-LTE de forma a conhecer "qual das tecnologias é mais robusta". Ainda em 2010, a TD-LTE também foi testada na Irlanda pela Ericsson, a partir de uma licença de teste fornecida pelo regulador local, ComRewg, na banda dos 2.3 GHz. Já o players WiMAX/LTE, a norte americana Clearwire, que opera nos EUA como uma spin-off da Sprint, também já testou TD-LTE em Fênix, Arizona, usando um kit da Huawei, Samsung e Beceem, entre outros fornecedores, na banda dos 2.5 GHz, de forma a testar a coexistência do WiMAX como TD-LTE e FDD LTE e confirmar a flexibilidade de sua rede. Por enquanto, a maioria dos vendors está mordendo fatias modestas da torta da TD-LTE, o que pode ser mudado pelos campeões domésticos da China. Ao final de março passado, ZTE, chinesa. E a sueca Hi3G, liderada pela 3Group da Hutchinson, lançaram o que eles próprios definiram como a primeira rede em modo dual LTE TDD/FDD do mundo. A Hi3G detém 50 MHz de espectro na Suécia e 25 MHz na Dinamarca e chamou a ZTE para realizar o upgrade de sua rede 3G bem como implantar banda larga móvel ao longo de 2011 até introduzir "a tecnologia LTE a altíssimas taxas de dados, acima dos 100 Mbps". "A internet móvel será a era da TDD. A China Mobile está comprometida em convergir o desenvolvimento da LTE TDD e FDD, que irá atingir economia de escala e amplo suporte da indústria global", definiu Wang Jianzhou, chairman da China Mobile. Fonte: Revista Mobile Communications International - Publicação da Telecoms.com |