Desde que a Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora de telecom dos EUA, obrigou que as carriers sem fio oferecessem serviços de chamadas de emergência, na virada do milênio, ou seja, entre 1990 e o início dos anos 2000, as coisas evoluíram muito. Hoje as chamadas Regras 911 (número do serviço nacional de emergência dos EUA) englobam uma série de requerimentos adotados em todo o mundo. A TruePosition, empresa global de tecnologia de segurança, com sede na Pensilvânia e uma das principais fornecedoras deste tipo de solução nos EUA, aproveitou a LAAD 2012, feira de segurança que se encerrou hoje no Riocentro (RJ), para demonstrar à inteligência da segurança no país como o celular age a favor da segurança - nacional, militar, civil e do cidadão comum.
O mote, é claro, são os próximos Jogos da FIFA no país (em 2014) e as Olimpíadas de 2016 na cidade do Rio de Janeiro. A expectativa de aumento significativo da população, com a chegada dos aficionados por esportes a diversas cidades brasileiras, justifica novos investimentos em tecnologia de ponta que torne o celular cada vez mais capaz de realizar uma chamada de emergência. Mas que também permita a detecção de suspeitos, também pelo celular, além de uma série de outras aplicações de maior porte para as forças de segurança civil e militar tornar o país mais seguro durante os Jogos Mundiais - e também depois deles por muitos e muitos anos, como esperamos. E, se o provável leitor imaginou que a tecnologia fornecida pela TruePosition baseia-se em GPS (localização por satélite), errou. Como lembra Brian Varano (foto), diretor de Marketing da companhia, além de a comunicação por satélite não funcionar bem nos ambientes indoor e em grandes cidades, cujos arranha-céus bloqueiam o sinal, o GPS exige um chip para que o celular receba os sinais transmitidos em órbita. "Além disso, nem todos os celulares em uso possuem GPS, e estamos falando dos aparelhos low cost, de legado etc." acrescenta ele, lembrando que estas deficiências do GPS para uso em chamadas de emergência foram, inclusive, listadas pela FCC em seu rol de recomendações para as Regras 911, anualmente atualizado. Segundo explicou Varano, a técnica adotada pela TruePosition pode ser simplificada da seguinte maneira: trata-se de uma tecnologia de localização de dispositivos sem fio (quaisquer que sejam eles), instalada nas estações de base que atendem às redes sem fio em funcionamento. Ela não se baseia em nenhum tipo de software, pois está totalmente fundamentada na rede. A solução atende pelo nome de Uplink Time Difference of Arrival (U-TDOA), pois sua função é realizar a localização do dispositivo sem fio em diferentes e múltiplas medidas de tempo, medidas estas feitas através de unidades de medida de localização (LMUs) instaladas especialmente para seu uso ou, como já dissemos, próximo aos sites das células de telefonia móvel. A medição realizada é enviada em tempo real para um nó central, que calcula a localização e providencia o socorro. Para ativá-la basta discar o número da chamada móvel de emergência da localidade e sua acurácia é de 50 metros, em média. "A partir das 80 mil LMUs implantadas em todo o território dos EUA que localizam mais de 60 milhões de chamadas todos os dias, podemos afirmar que há um aumento no tempo de resposta às chamadas de emergência e um aumento do número deste tipo de chamada que é processado", afirma Varano. Segurança nacional Mas o uso do celular abrange um espectro maior de inteligência em segurança. O celular pode ser adotado pelas forças militares e civis para coordenar ataques e também para evitar que o celular seja usado para se detonar bombas. Também é possível detectar todo e qualquer celular numa entidade prisional, seja para retirá-los das mãos dos presos (o que é recomendável) seja para grampear as conversas e ter informações precisas sobre planos de fuga e ações de bandidos nas cidades. Esta solução é mais sofisticada e, por ser usada apenas por um restrito grupo de inteligência de segurança, implica o uso de software. Trata-se da solução de arquitetura LOCINT, através da qual a TruePosition combina as tecnologias de localização com um sistema de retenção e análise de dados que cria soluções customizadas. A tecnologia identifica os celulares pelo número do aparelho, do fabricante e do chip (IMSI, IMEI, MSISDN) e é capaz de reconhecer chamadas e mensagens de texto feitas e recebidas, rastrear o cartão SIM etc. Entre outras aplicações, a LOCINT permite realizar a segurança de fronteiras de pequenas, médias e grandes áreas. A chamada "cerca virtual", por exemplo, é usada em perímetros reduzidos e permite aumentar o controle de determinado trecho de uma avenida, de uma rodovia, de uma rua etc. para detectar alvos específicos, como traficantes de drogas, terroristas etc. Esta tecnologia também tem aplicações como o reforço de segurança de trabalhadores em áreas críticas/remotas, como uma refinaria de petróleo ou num movimentado porto. "Durante os Jogos da FIFA no Brasil haverá muitos estrangeiros que não falam o português. Trata-se de uma boa iniciativa implantar um serviço de emergência em que basta usar uma série de números para ser resgatado", lembra Varano. O executivo acredita que uma situação ideal é haver um único número de emergência, global, o que não ocorre hoje. "O que não impede de, em épocas como as de Copa do Mundo, os turistas serem amplamente informados sobre as facilidades do número local para chamadas móveis de emergência", continua ele. O executivo apresentou a solução para representantes da inteligência de segurança nacional e dos diversos estados e municípios brasileiros que compareceram em peso ao Riocentro, esta semana. Segundo ele, a receptividade foi muito boa, embora a solução exija investimentos. "É muito difícil elaborar um ROI (retorno sobre investimentos) no caso de uma solução cujo objetivo não é obter lucro, mas salvar vidas e evitar tragédias. Além disso, sua implantação demora de seis meses a dois anos. Mas você já imaginou uma solução destas instalada numa UPP*?" Sim, eu já imaginei. E você, leitor? * [Unidade de Polícia Pacificadora em fase de implantação pelo governo do Estado do Rio de Janeiro em várias comunidades carentes e favelas] |