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Futuros clientes brasileiros de LTE vão exigir qualidade dos serviços Imprimir E-mail
por Jana de Paula   
19-Abr-2012
Logo LTE Latin America 2012Embora os céticos encarem com reservas as perspectivas da LTE no Brasil, alegando que a 3G não está madura o suficiente e a própria LTE mal começa a se disseminar no mundo, vendors do porte da Ericsson consideram os serviços de dados que se tornam viáveis com a LTE de extrema relevância em termos de receita para as operadoras. Neste ponto, a fabricante tem o aval do Pyramid Research que estima, para 2015, que o Brasil abrigue 18 milhões de usuários de LTE, que consumirão os novos serviços de dados, serviços estes que crescem a taxas impressionantes -138% de 2009 para 2010  e 99% de 2010 para 2011, segundo a 4G Americas, e ocupavam 22% da receita das operadoras no terceiro trimestre do ano passado, segundo o Informa T&M.

Mas, para que estes novos serviços tragam a receita esperada é preciso que haja uma sensível melhoria na sua qualidade e em sua relação custo benefício, de forma transparente para o usuário final. Michel Castaldelli, consultor da Ericsson, apresentou algumas das soluções da Ericsson para que as operadoras entreguem melhor experiência ao usuário através de uma rede mais inteligente e escalável. O tema foi inclusive abordado epelo executivo, numa concorrida palestra no LTE Latin America 2012, encerrado ontem no Rio de Janeiro.

Castaldelli lembra que a adoção de smartphones entre usuários da América Latina cresce em ritmo mais acelerado do que o resto do mundo e a expectativa é que, em 2015, 35% dos serviços das operadoras na América Latina sejam prestados através de smartphones. Mas quem compra um destes dispositivos móveis tem preocupação maior com a qualidade do serviço contratado. "Dados coletados pela Ericsson dão conta de que 78% dos usuários de smartphones procuram um melhor funcionamento da rede e por conseqüência dos serviços, contra 36% dos usuários dos celulares comuns. Neste cenário é muito importante aperfeiçoar a experiência do usuário", destaca o consultor.

Com o aumento de sua importância frente ao cenário mundial, descobrem-se cada vez mais peculiaridades do usuário latino-americano. Uma delas é que ele faz questão de estar up to date em termos tecnológicos, fator incrementado pela portabilidade. "Nos EUA, por exemplo, onde o usuário adquire o smartphone pela operadora, a questão da atualização tecnológica fica em segundo plano, devido aos contratos mais rígidos de fidelidade. O modelo brasileiro é melhor neste particular, pois significa mais smartphones vendidos e mais demanda por serviços", completa Castaldelli.

Outra particularidade do usuário latino americano em geral e brasileiro em particular é que ele é muito sensível a preço, fator que resulta da renda per capta de país em fase de desenvolvimento econômico. Esta economia se traduz de outra forma: os usuários também querem acessar mais serviços, mais redes sociais e, muitas vezes, se ressentem das tarifas de dados das operadoras. Para este público de ARPU mais baixo, a Telkomsel da Indonésia, por exemplo, criou um pacote de dados, através do qual o cliente paga 10 centavos por acesso ao Facebook.

Já no caso das camadas com ARPU mais alto, de um usuário de iPAD, por exemplo, este tipo de serviço inteligente pode se traduzir por uma tarifa palatável para que o usuário baixe e assista a um filme. Assim, ele evita gastar todo o seu ‘balde de dados' numa única aplicação e, também, garante que vai assistir ao filme sem as paradas típicas de alguns processos de download.

"É possível, através deste tipo de serviço inteligente em redes LTE, detectar, por exemplo, que um usuário acessa vídeo e oferecer a ele algo mais, com qualidade e que não ocupe toda sua quota de dados. Ele pode pagar, por exemplo, dois reais para baixar um filme. Também pode ocorrer que num aeroporto um usuário necessite trabalhar num documento em Power Point que vai exigir 20 Mega de dados. A operadora pode dar a este tipo de cliente microsegmentado um modelo atraente para a aplicação que ele deseja", exemplifica o consultor da Ericsson.

Este tipo de serviço ad-on é menos focado em pacotes pré e pós pagos e mais no tipo de usuário e no quanto ele gasta, ou quer gastar, por aplicação. "É importante que a operadora tenha a habilidade de entregar as novas aplicações que uma rede baseada em IP é capaz de oferecer ao cliente. A LTE vai proporcionar a capacidade de planejamento necessária para que isso aconteça com qualidade", acrescenta Castaldelli.

Estes tipos de serviços de dados com boa qualidade podem ser prestados a um custo menor pelas operadoras do que hoje numa rede 3G. Numa rede LTE a 10 MHz o custo de entrega de dados cai para a metade do custo atual na rede 3G. "É possível usar o espectro de modo mais inteligente, com mais eficiência e entregar um serviço a um custo menor", conclui o consultor da Ericsson.

Por que o usuário compra um smartphone?

Além do desejo por acesso à Internet melhor e mais rápido, a principal razão para a compra de um smartphone é ter acesso a aplicativos móveis, de acordo com o relatório Emerging App Culture (A cultura emergente de aplicativos, em tradução livre) do ConsumerLab, laboratório de pesquisas de comportamento da Ericsson, cujo release reproduzimos em seguida. O relatório é resultado de pesquisas conduzidas na Rússia, Índia e Brasil, mercados de alto crescimento, e revela também que os novos usuários de smartphones adotam apps no mesmo ritmo que os usuários mais experientes. Além disso, 69% dos usuários de smartphones que participaram da pesquisa acessam a Internet usando apps diariamente e 20% usam serviços que consomem grande quantidade de dados, como aplicativos de vídeo, TV, mapas ou navegação, todos os dias.

As 10 principais atividades realizadas pelos consumidores que compraram um smartphone recentemente, são: fazer "check in" nos lugares onde estão, usar mapas para navegação ou para obter informações sobre o trânsito, assistir TV pela Internet, ver filmes, jogar online, assistir vídeo em streaming, jogar em sites de redes sociais, assistir ao noticiário ao vivo, usar o Twitter e ler/escrever posts de blogs.

Para os consumidores, estar conectado e ter acesso a ferramentas e serviços é o que importa. Eles fazem pouca distinção entre ter um smartphone e os apps que usam nele. No entanto, os apps são usados de forma diferente nos três países, sendo que os usuários indianos estão mais interessados em baixar apps de personalização, como protetores de tela, temas e papéis de parede e navegadores de terceiros, além de apps de mídias sociais e jogos. Por outro lado, os russos usam seus smartphones de forma mais utilitária e rodam apps que ajudam no fluxo do cotidiano, como navegação e mapas, comparação de preços, escaners de códigos de barra, tradutores, dicionários e outros, enquanto os brasileiros usam apps que melhoram suas interações sociais.

Luciana Gontijo, responsável pelo ConsumerLab da Ericsson, diz: "A cultura dos apps que emerge nestes mercados de alto crescimento reflete uma tendência similar à que podemos observar nos EUA e em outros países desenvolvidos. Os apps não são mais apenas para os "early adopters", ou seja, aqueles que são os primeiros a adotar novas tecnologias. Embora os usuários mais experientes usem seus apps de forma mais frequente que os novos usuários de smartphones, temos visto uma evolução geral em direção à compra, por parte dos novos usuários, de apps cada vez mais especializados, como os de encontros ou busca de preços. O uso destes apps especializados é quase tão alto entre os novos usuários quanto entre os usuários mais experientes."

Algumas características de uso de apps são diferentes, quando comparadas às de mercados mais maduros. Dois entre cinco usuários raramente ou nunca visitam um mercado de apps oficial e preferem baixar apps de sites de terceiros e fóruns. Cerca de metade dos usuários baixam apps primeiro no PC e depois os transferem para o smartphone para economizar no plano de dados.

Com relação ao tempo de uso de apps por dia, 49% relataram usar apps para redes sociais, 39% para chat, 31% para previsão do tempo, 26% para notícias, 20% para mapas, GPS e navegação, e 12% para tabelas e trânsito.

"Estes dados revelam um forte interesse em apps que permitem aos consumidores lidar com os desafios diários e interagir com as pessoas, lugares e coisas nos seus entornos urbanos. Acreditamos que os smartphones e apps serão fundamentais para a transformação da vida diária das pessoas nos mercados de alto crescimento, à medida que nos aproximamos da Sociedade Conectada", comenta Sethi.

Sobre o relatório Emerging App Culture

A pesquisa foi realizada com usuários de smartphones com idades entre 15 e 54 anos que acessaram a Internet com seus smartphones pelo menos uma vez por semana em três importantes mercados: Índia, Rússia e Brasil. A amostra do estudo é representativa dos proprietários de smartphones que usam a Internet móvel ao longo destes três mercados. A parte quantitativa da pesquisa consistiu de 1.220 questionários online respondidos na Rússia e no Brasil, e medidas quantitativas e por meio de dispositivos na Índia, com 5 mil usuários de smartphones no fim de 2011.

Durante o componente qualitativo da pesquisa, um total de 33 entrevistas aprofundadas foi realizada nos três mercados para obter um conhecimento mais profundo sobre como estes consumidores usam seus smartphones e apps, e também como racionalizam seu uso.

 
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