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Esta semana, a equipe do e-Thesis teve a oportunidade de conversar com dois executivos importantes da indústria de infraestrutura de redes. John Hawkins, conselheiro sênior de Marketing de Produtos da Ciena, veio ao Rio de Janeiro participar do Carrier Ethernet Americas. Já Nelson Wang, VP da Amdocs Brasil, esteve na cidade por causa da 12ª Rio Wireless, da qual a Amdocs foi um dos patrocinadores. Leia a seguir um pingue- pongue com estes dois executivos, sobre o que eles consideram o principal diferencial de rede, hoje em dia.
e-Thesis: Para o senhor, o que, hoje em dia, representa o maior diferencial de uma rede? John Hawkins - É uma boa pergunta por que muitas operadoras querem saber também qual é o principal diferenciador dos serviços oferecidos sobre suas redes. Do que eu ouço nas conversas com eles, existem três fatores principais:
1. O preço do serviço 2. A habilidade de medir o desempenho do serviço end-to-end e 3. A disponibilidade do serviço onde ele é necessário. De fato, a Ethernet, pode criar serviços bem mais rentáveis do que os comparáveis serviços de IP, cujo desempenho pode ser medido. Esta semana na conferencia CE Americas 2012, estamos falando sobre o novo tipo de serviços "E-Access," que facilita a criação de serviços fora do "footprint" da operadora usando novos padrões da Metro Ethernet Forum (MEF). Nelson Wang - O fato é que a era da banda larga socialista tem que acabar. É hora de se entender que quando se paga pelo serviço, se tem o poder de escolha. Assim, hoje em dia é crucial a otimização da rede; o entendimento de que é grande a carga sobre a rede; e isto aliado a planos de contingência; ou seja, é preciso entender que este processo passa pela otimização do investimento (Capex), seu gerenciamento (Opex) para, no final, se dispor dos meios de atender ao usuário. Assim, se planeja o tamanho da rede de acordo com a necessidade e se cria um meio de contingenciamento.
Por exemplo, no caso de investimentos em infraestrutura para os Jogos Mundiais, num planejamento deste tipo não vai se planejar (nem investir) pelo pico, mas criar planos de escape para as situações de pico. É preciso saber quais os perfis de usuários que se terá durante os Jogos. Provavelmente haverá um tipo de usuário que vai evitar voz em virtude do preço do roaming. Por que não criar pacotes de dados atraentes que incluam descontos no roaming de forma a satisfazer este usuário? e-Thesis - O que as empresas usuárias de rede com atuação na America Latina devem incluir em seus projetos de rede para os próximos anos? John Hawkins - Creio que a resposta vai depender muito da situação de cada cliente. Alguns vão querer o melhor preço, nada mais. Mas existe uma variedade de clientes, prestadores de cuidados de saúde, por exemplo, ou bolsas de câmbio, onde a proteção do serviço será de maior importância. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas vindo ao Brasil, os serviços que carregam vídeo com maior eficiência e latência serão de mais alta importância, sobretudo quando o mundo todo sintonizar com esses eventos mundiais. Então, depende to tipo de cliente e do aplicativo que ele precisa.
Nelson Wang - Acredito que cresça o interesse pelo conceito da ‘smart network'. Afinal, já se reconhece que não se pode deixar toda a prestação de serviços no modo ‘free flat rate'. As redes tendem a se saturar. Assim é muito provável que se criem serviços de tarifas livres ou baixas para o usuário pontual, pacotes de serviços mais atraentes para o usuário que aponta uma fidelidade maior a um tipo de serviço e, assim, deixar espaço para atender ao usuário heavy user que quiser usar mais da rede.
e-Thesis - Quais os mercados que têm maior crescimento no uso de rede em todo o mundo? Mercados regionais e aplicações? John Hawkins - O mercado norte americano está se recuperando de sua recente recessão e os indicadores são de que o investimento na infraestrutura da rede vai ser saudável no próximos anos. Na America Latina, com a Copa e as Olimpíadas no Brasil, por exemplo, acho que a rede vai ver o seu nível de investimento crescer. Não só por causa desses eventos, mas porque as economias locais estão saudáveis e crescendo rapidamente. Similarmente, na Ásia, onde o apetite por serviços avançados continua a crescer com expansão das economias locais na China e na Austrália. A exceção seria na Europa, onde a situação econômica não favorece investimentos em infraestrutura no prazo curto.
Quanto às aplicações, sabemos que os serviços óticos e baseados no Ethernet estão em grande demanda em uma base global. Mesmo nas economias que não vêem muito investimento, elas se beneficiam porque fornecem economia de custo aos usuários finais, tanto que eles continuam a ser em grande demanda. Achamos que eles são "recession-proof." |