Diretor regional para América Latina da Ruckus Wireless, John Lombardi, esteve no Brasil, na semana passada, para uma série de contatos com as operadoras móveis de 3G e 4G instaladas no país. O objetivo da maratona foi oferecer suporte a projetos de expansão da tecnologia Wi-Fi, já que a evolução no uso de dispositivos móveis vem incentivando investimentos locais em soluções baseadas nesta tecnologia. Recentemente, a empresa fechou acordo com a Nokia de integração de soluções Wi-Fi na oferta de redes de banda larga móvel para operadoras como uma de suas estratégias para conquistar maior participação no mercado local.
A Ruckus Wireless, desenvolvedora de sistemas Wi-Fi para operadoras e o mercado corporativo, desenvolveu a tecnologia Smart Wi-Fi, que consiste na utilização de sistemas e equipamentos que ampliam a cobertura de sinais Wi-Fi e evitam interferências na rede. Fundada em 2004 e com sede na Califórnia (EUA), ela conta com mais de 12 mil clientes entre grandes operadoras de telecom e provedores de serviço de banda larga, além de empresas de setores como hoteleiro, hospitalar e de educação. De acordo com dados do Delloro Group, a empresa detém mais de 27% do mercado global de Wi-Fi, entre operadoras. Com centros de desenvolvimento nos Estados Unidos, China, Taiwan, Índia e Israel, a Ruckus conta com mais de 55 patentes concedidas. Leia abaixo o pingue-pongue entre Lombardi e a equipe do e-Thesis e-Thesis - O senhor encara a tecnologia Wi-Fi como complementar a outras tecnologias sem fio, como as de telefonia móvel? John Lombardi - Sim, absolutamente. Wi-Fi é uma tecnologia que pode ser usada para expandir as redes 3G e 4G de modo a injetar capacidade em áreas de alta densidade - tanto interiores como exteriores - e fornecer alívio necessário às redes celulares que lidam com um "tsunami" de tráfego de dados a partir de smartphones, tablets e outros dispositivos móveis. No início deste ano, a Ruckus introduziu o sistema SmartCell, uma pequena célula do sistema Wi-Fi que se integra perfeitamente com as atuais redes de núcleo móvel da operadora. O sistema permite que as operadoras implementem uma estratégia de rede heterogênea ("het-net") e utilizem uma abordagem de pequenas células para aumentar a capacidade e cobertura onde é mais necessário, sem construir uma infraestrutura toda nova. Esta abordagem é muito mais rápida e mais efetiva do que construir infraestruturas macro-celulares 4G/LTE, mas também é complementar às macro-células, e ajuda os operadores móveis a satisfazer os desafios de capacidade, de atender às demandas de densidade e de implantação de redes heterogêneas ao ar livre em ambientes urbanos. e-Thesis - De que modo a tecnologia Wi-Fi pode aperfeiçoar a telefonia móvel? Mais dados? Maior velocidade? Pacotes de serviços mais atraentes? Maior ubiquidade? John Lombardi - A tecnologia Wi-Fi é uma forma de adicionar capacidade a uma solução escalável, proporciona uma boa relação custo-benefício para redes celulares e oferece às operadoras móveis e de banda larga. Também oferece às operadores de cabo uma maneira de expandir sua área de serviço sem a construção de novas infraestruturas caras. Com isso, eles são capazes de oferecer mais serviços aos assinantes e melhorar a experiência online quando estes estão longe de casa. e-Thesis - De que modo a tecnologia Wi-Fi pode aperfeiçoar a experiência do cliente? John Lombardi - Quase todos os dispositivos móveis são habilitados para Wi-Fi e, sendo assim, a disponibilidade de hotspots Wi-Fi oferece aos usuários acesso a conteúdos e serviços em ambientes de alta densidade, particularmente onde as redes 3G e 4G estão congestionadas e o desempenho é lento, ou ainda onde elas não estão simplesmente disponíveis. A tecnologia Wi-Fi permite velocidades e largura de banda comparáveis a Ethernet com fio, permitindo aos usuários transmitir ou fazer download de conteúdo multimídia mais rapidamente e mais facilmente do que com redes celulares. Além disso, ao descarregar dados em Wi-Fi, as operadoras podem liberar redes celulares para controlar o volume de chamadas de voz. e-Thesis - O que as operadoras tendem a ganhar com expansão de seus projetos de Wi-Fi? John Lombardi - As operadoras ganham maior presença, rapidamente, e com custo mínimo, bem como podem adicionar capacidade com redes de pequenas células, melhorando a experiência online para assinantes. e-Thesis - A recente aquisição de mais espectro de radiofrequência no mercado brasileiro pode incrementar o Wi-Fi? John Lombardi - A tecnologia Wi-Fi utiliza o espectro não licenciado de modo que este desenvolvimento não terá muito impacto sobre a disponibilidade de Wi-Fi. No entanto, mesmo com mais espectro se tornando disponível para operadoras brasileiras, as demandas dos assinantes de acesso sem fio crescem a uma taxa muito mais rápida do que a adição de um novo espectro pode acomodar, de modo que a Wi-Fi ainda será essencial para preencher as lacunas e ser capaz de dimensionar o desempenho para atender à demanda. e-Thesis - O senhor tem conhecimento de que o parque instalado de Wi-Fi (hotspots por exemplo) no Brasil está aquém da demanda? A Ruckus pode contribuir para melhorar este quadro? John Lombardi - Sim. E a Ruckus pode e já está melhorando esta situação. Por exemplo, no Japão, estamos trabalhando com a KDDI, a operadora de banda larga de destaque naquele país, que usa nossa tecnologia para construir a maior rede Wi-Fi hotspot do mundo (100 mil hotspots). Também estamos trabalhando com operadoras em outras partes da Ásia e na Europa, bem como América do Norte e, agora, na América Latina. Obviamente, nós não somos o único provedor Wi-Fi. No entanto, a nossa tecnologia exclusiva de antena adaptativa aborda o espectro de RF e melhora o desempenho e capacidade de Wi-Fi, o que nos dá uma vantagem sobre outros provedores neste espaço e, consequentemente, aos clientes das operadoras móveis uma vantagem de custo e desempenho. |